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Para nós cristãos, o primeiro passo para responder ao amor de Jesus é entrarmos pela porta do Batismo. No Batismo, recebemos o Espírito Santo nos fazendo morada de Deus. Assim somos reconhecidos por Deus como Filhos porque o Espírito do Filho habita e age em nós. É a força salvadora do Espírito que nos impele à ação missionária, assim como aconteceu aos discípulos missionários de Jesus para o anúncio do Reino e o chamado às nações para fazerem parte desse Reino. Esse é o desejo de Jesus, um desejo que é realizado pela Igreja. 

Com o Batismo nos tornamos novas criaturas, assim diz Paulo, o apóstolo de Jesus que, respondendo a seu chamado, torna-se um evangelizador. Ele anunciava que Jesus: “existindo em forma divina, não se apegou a ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E, encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2m, 6-9.11). 

Aquele Jesus que caminhou pela Palestina e fascinou a muitos, pelos seus gestos e ações, é o mesmo que continua conosco, nos fascinando em nossa história de vida e nos ajudando na caminhada.

Todos são chamados, assim como Pedro, Paulo, João e os discípulos de Jesus, a falar com entusiasmo, fazer memória das ações e Palavras de Jesus que revelam o seu amor à humanidade. Também como eles, denunciar as injustiças e violências para construir um mundo de justiça e paz. 

Acreditar na ressurreição de Jesus e que ele está sentado à direita do Pai é entender que ele reina como o Pai, que ele é Deus e à luz do Espírito Santo, vivemos a revelação. E esse fato  pede conversão, mudança de vida, novo olhar, reconhecimento e acolhimento de Jesus em nossa vida.  A presença de Deus no meio de nós nos convida a um novo modo de vida. 

Diante da realidade atual, tantos sofrimentos, violências e incompreensões torna-se difícil enxergar os sinais que Deus vai dando-nos ao longo da nossa caminhada. Muitas vezes isto acontece porque ficamos de olho só naquilo que desejamos, aquilo que queremos que Deus faça para nós e esquecemos-nos da vontade de Deus. Fechamos-nos dentro de nós mesmos e esquecemos-nos de olhar para fora, para o irmão, enxergá-lo e partilhar a vida com ele.

Vivemos o grande desafio de perceber o amor de Deus que nunca nos abandona, um amor sem medidas, um amor que se torna compreendido à luz da Palavra. São palavras que ajudam a entender a realidade, assim como aquelas que foram ditas por Jesus aos discípulos de Emaús e que tornaram possível a eles compreender a presença de Jesus ao partir o pão.

Para a Igreja, a sociedade humana foi criada por um designo amoroso de Deus Criador, está por Ele designado a ser transformado e alcançar a própria realização: a vida plena no amor por meio da participação na vida divina.

A Participação na vida divina, o revestir-se de Cristo provém do nosso batismo. Como nova criatura em Cristo, o homem batizado se torna membro da Igreja, Povo de Deus. Diz o Concílio Vaticano II: “Aprouve a Deus santificar e salvar os homens, não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse” (LG 9). Servindo-o como Igreja, dando continuidade à Obra de Cristo, este que veio ao mundo, não para julgar, mas para salvar, não para ser servido, mas para servir. (Jo 3,17; Mt 20,28; Mc 10,45). Esta é a nossa vocação e nossa resposta ao amor de Deus. Vamos refletir sobre esses textos bíblicos: At 2,37; 9,6; 16,30 22,10.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH