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O anúncio da Palavra anima nossos passos e motivam nossos corações. Elas são presentes de Deus. Nós podemos proferi-las porque Deus nos inspira primeiro e assim, deixando-a germinar em nosso íntimo, a deixamos brotar ofertas de nós mesmos. A força do Espírito nos possibilita, nos move, nos impulsiona e nos leva à mais bela expressão que existe: a linguagem do Espírito. É a manifestação do próprio Deus e não podemos deixar que ele pare de falar, pois só ele é capaz de ressuscitar a esperança e fazer os olhos brilharem de alegria Sua linguagem tudo revela e suas Palavras desvendam nosso interior.

Toda nossa fé é uma revelação da bondade, da misericórdia, do amor de Deus por nós. “Deus é amor” (Jo 4,16). Amor que se difunde e se entrega. Por meio do mistério da encarnação, Deus enviou seu Filho. Assim, Jesus é o enviado do Pai, e veio para dar testemunho do amor do Pai. E por meio de seus gestos, atitudes e falas Jesus deixou sua mensagem para nós. Estas nós a encontramos nos Evangelhos.

Quando colocamos nossa fé na dinâmica de entrega, de confiança e de compromisso com Jesus, passamos a compreender a nossa própria fé como um encontro pessoal que vai se configurando ao longo da nossa trajetória pessoal e comunitária. A fé cristã cresce quando fazemos memória das Palavra de Deus. A fé cristã tem suas raízes no Antigo Testamento onde, através de vários sinais, podemos perceber o amor de Deus revelado. O Novo Testamento interpreta as histórias do povo de Deus fazendo uma leitura da história da vida de Jesus. Nas narrativas da vida e ação de Jesus, Deus dá-se a conhecer, pois é na revelação que está na própria vida humana de Jesus que Deus se faz presente. Ele dá-se a conhecer, ou seja, dá sinal da sua presença, em acontecimentos que ocorrem na vida humana, quando esses acontecimentos são semelhantes aos que os evangelhos narram da vida humana de Jesus. Toda a vida de Jesus é colocada em evidência e concretiza o sonho de Deus para o ser humano. Uma vida de bondade, de solidariedade e amor. Conhecendo e contemplando com atenção esse Jesus de Nazaré entenderá tudo o que se pode entender de Deus neste mundo.

A Palavra de Deus não age por si mesma. Ela pode nos libertar, sempre, desde que não seja manipulada pelos interesses de quem a comunica. Por isso, a necessidade do seu conhecimento. A exemplo do evangelista Marcos podemos, enquanto comunidade, percorrer juntos, o caminho que Jesus e seus discípulos fizeram desde a Galileia até Jerusalém. Para dar segurança à comunidade, Marcos começa afirmando que Jesus Cristo é “Filho de Deus” (1,1) e, no momento da morte de Jesus, ele afirma: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (15,39). Naquele momento, a grande preocupação era como ser discípulo e se colocar no seguimento de Jesus. Preocupação que se torna presente, hoje, em nossa realidade, num contexto de pós-modernidade, subjetividade e pluralidade.
A Igreja, como o “ambiente” no qual a Bíblia tem seu significado e deve ser interpretada, nos convida à missão como um caminho que todos, como Igreja, devem percorrer sempre e levar a todos a alegria do encontro com Jesus Cristo; a presença profética e transformadora da Palavra de Deus no mundo, etc. E a catequese apresenta-se como uma das formas do ministério da Palavra e pode ser destacada como papel insubstituível e fundamental para a transmissão da Palavra de Deus.

A catequese oferece um período de ensinamento e maturidade, de reflexão vital sobre o mistério de Cristo, de iniciação integral-vital, ordenada e sistemática na Revelação que o próprio Deus fez ao homem em Jesus Cristo, não isolada da vida nem justaposta artificialmente a ela, e conservada na memória profunda da Tradição viva da Igreja. É a partir de uma autêntica catequese renovada e inspirada na vida do Cristo que a Igreja pode deslocar solidamente toda a amplitude de elementos e funções de sua ação evangelizadora. Assim, é necessário que a catequese, como obra evangelizadora da Igreja, encontre seus fundamentos na natureza da revelação cristã e na Tradição viva da Igreja tal como esta se expressa na Constituição Dei Verbum, do Com. Vat. II.
Nesse sentido torna-se explicita a importância de melhor conhecer as Sagradas Escrituras, não só com cursos, oficinas bíblicas, grupos de estudos, etc., mas sobretudo com tudo o que implica a Bíblia para a vida e a atividade evangelizadora da Igreja. Isto tem reflexos principalmente nas atividades pedagógicas da fé, sobretudo na catequese.

Neuza Silveira de Souza

Secretariado bíblico-catequético da arquidiocese de BH

 

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