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O CATEQUISTA, O EDUCADOR.

O PASTORALISTA, ARTICULADOR E ANIMADOR DO DIÁLOGO

 HOMEM DE DEUS: FIEL DISCÍPULO DE JESUS, A SERVIÇO EXCLUSIVO DA MISSÃO ASSUMIDA

Dom Albano Bortoleto Cavallin[1] é presença permanente entre as pessoas que com ele conviveram, ou que se beneficiaram e ainda lucram de seus empreendimentos pastorais. E que participam, direta ou indiretamente, da grande obra por ele realizada, durante sua trajetória local ou nacional:

no mundo da Evangelização, com ênfase na Catequese;

no universo da Educação, com destaque do Ensino Religioso;

no lócus das Ciências Teológicas, com  prioridade das teorias e práticas metodológicas que encaminham ao maior aprofundamento e adesão ao Cristo Palavra e Pão. Duas realidades inseparáveis, com fortalecimento da dimensão trinitária do ensino e da vivência cristã. Prova disto é a organização da Capela em sua residência, para ilustrar e chamar a atenção para ambas as dimensões que devem ser bem trabalhadas, enfatizadas no múnus de ensinar (Cân. 747 ss).

Reuniu e continua agregando pessoas de todos os recantos do país. Conclamou seguidores do Mestre que acreditam: na necessidade de contínua renovação; na permanente fidelidade à missão de evangelizar, catequizar, educar e caminhar juntos, rumo aos ideais de eternidade. Isto de forma participativa, comprometida com a transformação da realidade; sensíveis às necessidades de mudança de paradigmas; aptas a promover a comunhão; e revelar o Pai, concretizando o projeto de Jesus Cristo, Palavra Viva que se faz Pão, Alimento.

Daí a concretização de seu lema episcopal:

INTERPRETABATUR IN SCRIPTURIS (interpretava-lhes nas escrituras)

“Seu nome e seu serviço à Evangelização pela Catequese inclui-se entre as mais vivas e inspiradoras colaborações à história recente da Igreja em nosso país. Entre tantos dons recebidos, o documento Catequese Renovada, que conferiu novas feições ao anúncio da mensagem de Jesus Cristo e educação da fé, é a expressão mais predileta de sua liderança e de sua capacidade de diálogo.” (Peruzzo, 2017)

Para Dom José Antônio Peruzzo,[2] Dom Albano manteve a integridade de quem se entregou a uma causa maior e deu testemunho de fidelidade à missão, com tranquilidade, pois era portador de qualidades inerentes à sua personalidade que “são traços e retratos profundos de quem fez de sua vida um dom acolhido com gratidão a Deus, e um dom oferecido com afeição aos irmãos e aos Catequistas”.

Como desdobramento de seu lema, a Catequese foi a expressão marcante de seu ministério. Integrou a Comissão de Pastoral da CNBB (CEP) na Dimensão Bíblico-Catequética, onde prestou à Igreja no Brasil serviços de grande relevo, de 1984 a 1988, dentre os quais a reflexão, elaboração e divulgação do documento Catequese Renovada, orientações e conteúdo, lançado em 1983. Para operacionalizá-lo criou Grupos de Reflexão e Trabalho, sendo o GRECAT, o pioneiro. O mesmo Grupo, sob a coordenação de dois assessores da CNBB para a dimensão bíblico-catequética, Irmão Israel José Nery e Frei Bernardo Cansi, o auxiliou no planejamento e realização da primeira Semana Brasileira de Catequese, reunindo em Itaici – SP, mais de 500 Catequistas e alguns Catequetas, com substanciosa produção de suas conclusões.

Ainda na CEP, Dom Albano promoveu dois Encontros Nacionais de Catequese, contando sempre com a mesma assessoria nas quais confiou e soube valorizar. Esses e outros eventos deram um novo impulso à catequese no Brasil, incentivando a produção de dezenas de coleções de catequese, contemplando os aspectos apresentados como essenciais numa catequese completa e eficaz para a educação permanente da fé. Os ciclos bíblicos receberam grande incentivo de Dom Albano e de seus assessores.

Dom Albano iniciou um tempo novo para a educação no Brasil, estando este setor sob seus cuidados na Comissão de Pastoral da CNBB, incluindo o Ensino Religioso (ER). Esta disciplina passou a ocupar um lugar de destaque, pois coincidentemente, em 1984 é divulgado o novo Código de Direito Canônico, cujo cânon 804 trata do ensino religioso na rede pública. Ao mesmo tempo, teve início ao processo de abertura política no Brasil, sendo constituída a Comissão “Afonso Arinos” que elaborou o anteprojeto da nova Carta, preparatório da Assembleia Nacional Constituinte. O Ensino Religioso entrou na pauta das discussões desde o referido anteprojeto. Posteriormente disciplina passou a ser alvo de interesse em todas as regiões do país, uma vez constante dos Projetos já consolidados e debatidos na referida Assembleia, durante os anos de 1986 a 1988.

Com igual dedicação, Dom Albano envidou esforços, constituiu, em 1985, o Grupo Nacional de Reflexão sobre o Ensino Religioso (GRERE) que, também, sob a coordenação dos dois assessores da catequese e do Pe. Irineu Brand, além de dezenas de reuniões, organizou e realizou dois Encontros Nacionais de Ensino Religioso (5º e 6º ENER), em Brasília, durante a Assembléia Nacional Constituinte. Completou  estas atividades com um encontro de deputados na sede da CNBB em Brasília, várias reuniões no Congresso Nacional e dezenas de visitas aos parlamentares para refletir sobre a garantia do ER na Carta Magna.

Animou o movimento nacional de professores e coordenadores do Ensino Religioso nas Secretarias de Educação dos Estados e alguns municípios sede de Capitais. Deste movimento surgiram os abaixo-assinados, sendo o Ensino Religioso a segunda maior emenda popular a entrar no Congresso Nacional, com setenta e oito mil assinaturas, seguindo as normas pré-estabelecidas. O artigo 210, § 1º da Constituição Federal que garante o ER, no momento, resultou desta mobilização. Ao mesmo tempo, foi dada oportunidade aos professores, de participar pela primeira vez de um evento desta natureza. Estava sendo formada a consciência política, da plena cidadania.

Para auxiliar a sociedade brasileira - especificamente os parlamentares - o GRERE, ouvindo os professores, elaborou e divulgou, durante a Assembleia Constituinte, os Estudos nº 49 da CNBB[3], trazendo a história e algumas reflexões sobre esta área de conhecimento no Brasil, durante sucessivas fases do processo civilizatório brasileiro.

É importante destacar que Dom Albano Cavallin soube manter todas as velas acesas. Para ele um setor pastoral ou educacional não era mais importante do que outro. Deu testemunho de dedicação e atenção a todos, com igual competência e disponibilidade.

 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta seu pesar pelo falecimento de dom Albano Bortoletto Cavallin, arcebispo emérito de Londrina (PR), aos 86 anos, ocorrido na quarta-feira, dia 1º de fevereiro de 2017, após um procedimento cirúrgico.

Tivemos o privilégio de visitar, em 2014, a esse ilustre educador, em sua residência em Londrina. E de gravar uma entrevista com ele sobre o ER, utilizada três meses depois no 3º Encontro Nacional dos Bispos referenciais do ER nos Regionais da CNBB (3º ENBRER). A Biblioteca Virtual do ER irá ao ar com a 2ª edição, trazendo entre outros este vídeo.

A Dom Albano Bortoletto Cavallin, a homenagem, a gratidão e o reconhecimento por sua atuação benfeitora de todos(as) os(as) Catequistas e Educadores(as) do Brasil.

 

Anísia de Paulo Figueiredo

Autora de vários títulos de Catequese e Ensino Religioso.

Atuou como consultora da CNBB, a convite de Dom Albano, durante a Assembléia Nacional Constituinte, na função de pesquisadora

e redatora principal dos Estudos da CNBB nº 49, com total apoio da Arquidiocese de Diamantina - MG.

 

 

[1] Dom Albano Bortoleto Cavallin nasceu em Lapa - PR, aos 25 de abril de 1930. Faleceu no dia 1º de fevereiro de 2017, após uma cirurgia. Sua ordenação presbiteral se deu em 06 de dezembro de 1953. Ordenação episcopal em 28 de agosto de 1973. Funções que exerceu: vigário cooperador da catedral de Curitiba - PR; pároco, diretor espiritual do Seminário Maior Rainha dos Apóstolos; coordenador de Pastoral e subsecretário do regional Sul 2 da CNBB; professor no Studium Theologicum em Curitiba; bispo auxiliar na arquidiocese de Curitiba; bispo da diocese de Guarapuava (PR); de 1992 até 2006, arcebispo de Londrina-PR. 

[2] Arcebispo de Curitiba (PR) e atual presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

[3] Os Estudos nº 49 da CNBB é um documento histórico que registra, pela primeira vez, a História do Ensino Religioso no Brasil. De sua divulgação em diante, foi dado início a uma reflexão mais ampla sobre o ER na legislação de ensino.  O mesmo apresenta os desafios que ainda permanecem; esses desafios dificultam a compreensão e aplicação da matéria do sistema escolar da rede oficial de ensino, aberto aos cidadãos e cidadãs de qualquer crença, ou indiferentes, ou declaradamente ateus.