
A exemplo do primeiro grupo de catequistas de Jesus, seus apóstolos, somos chamados a viver nossa vocação de catequistas, no exercício do cumprimento da tarefa de fazer ecoar, por toda parte, a Boa Nova da chegada do reino, inaugurado por Cristo, que veio para que todos tivessem vida em plenitude (cf. Jo 10,10). Deus nos colocou nesse mundo, para que assumamos a nossa vocação, seja ela matrimonial ou sacerdotal ou religiosa e até mesmo a profissional, lugar onde desenvolvemos nossos talentos.
Vocação é vida. Nossa vida é um chamado e todas as vocações têm o seu devido valor, pois a verdadeira riqueza social é a pessoa humana. Cada passo deve ser dado com entusiasmo e prazer. O importante é reconhecer que viver é colocar-se a serviço uns dos outros.
Se você consegue ajudar uma só pessoa a viver melhor, isto já justifica o dom da vida. Cada vez que nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina mais a nossa fé para reconhecer a Deus. Quando vivemos a mística de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. Cada vez que encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus. Estas coisas estão interligadas com a vontade do Pai. E quem nos mostra a vontade do Pai é seu Filho Jesus Cristo. A pessoa só precisa crer.
Na caminhada não podemos deixar que o sabor se perca. Diante dos grandes desafios atuais somos chamados a reaprender a dialogar com aquilo que não se concorda; reaprender a evangelizar, tendo como referencial Jesus, pessoa como nós, que nos anima: “eu vim para que todos tenham vida e tenham em abundância” (Jo10,10), porque a vida é sagrada em todas as suas fases e dimensões.
Diante de uma realidade atual onde predomina o individualismo, precisamos desenvolver a escuta atenta, paciente e acolhedora, resguardar a imagem do cristianismo como estilo de vida, começando pela solidariedade, pelo perdão e fraternidade. Muitas vezes nos sentimos fechados para o diálogo, à reconciliação, ao perdão, mas aí precisamos abrir nossos corações ao amor de Jesus, acreditar na sua misericórdia para continuar em frente.
Não podemos esquecer do ordenamento de Jesus: “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. (Mc 16,15). Cumprir a ordem de Jesus e sair para anunciá-lo é tarefa de todos nós, discípulos e catequistas dele, pois Ele é o próprio Evangelho, a Boa Nova que deve ser anunciada para que todos possam conhecê-lo, e fazer a experiência desse encontro pessoal, deixando-se conduzir para dentro do Mistério: a sua paixão e ressurreição.
Qual é o mistério de Jesus?
Jesus foi um ser humano como nós, mostrando-nos Deus com Pai e a pessoa humana como irmã. No mistério da encarnação encontramos o princípio e o fundamento do seu jeito de ser. Num mundo onde se procura, por todos os meios possíveis estar acima de tudo e de todos, Deus desce, toma forma humana para humanizar e divinizar a humanidade. Jesus, o Verbo Encarnado, é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. É santo Irineu que vai nos dizer que: “O Verbo (Jesus Cristo), em virtude do seu imenso amor (à humanidade), se fez o que somos, para sermos o que Ele é”.
A Encarnação é, também, a expressão da solidariedade de Deus com os excluídos e dos pobres da terra. O local e a forma do seu nascimento já é uma profecia.
Pela Encarnação, Deus fixou sua tenda entre os pobres da terra, entrou na história dos povos e a assumiu como própria.
Jesus, o Filho de Deus, para fazer-se entender, falou a linguagem humana dos simples da terra, e para sentir o que sentiam, “trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com o coração humano, nascido da Virgem Maria se fez verdadeiramente um de nós, semelhante em tudo, exceto no pecado” (GS 22).
Jesus de Nazaré, o Verbo Encarnado, é a revelação histórica de Deus, o sacramento do Pai, sacramento da solidariedade de Deus-Amor para conosco, sinal da proximidade de Deus. Deus-conosco, o lugar de sua presença e do encontro com Ele, a “imagem do Deus invisível” (Cl 1,15). Aquele Jesus que ensinou a orar, também ensinou a servir, afirmando que não veio para ser servido, mas para servir. Ele nos desinstala de nosso comodismo e, a seu exemplo, nos convoca a ser profetas, denunciando e anunciando o seu Reino de amor.
Jesus participou intensamente da vida e da cultura de seu povo simples. Com ele aprendemos que: para ser bom Mestre, é necessário antes ser bom discípulo. E ser bom Mestre não é meramente uma questão de conteúdo; é, sobretudo, um modo de ser, uma forma de viver. Sempre à luz do Espírito Santo.
Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.




